Não importa o meio ou a linguagem utilizados pelo artista para expor suas interpretações de mundo e seus sentimentos. Seu trabalho pode surgir tanto em desenhos de traços finos e pinturas coloridas como em intervenções com xerografia ou mesmo em esculturas com objetos ou poesia postal. É assim que o artista plástico Silvio Hansen desenvolve sua expressão há 40 anos, passando por diversas fases.
Apesar de nunca ter parado o processo produtivo, com releituras de obras, e de hoje em dia investir mais na poesia visual, o artista estava desde a década de 1990 sem participar de exposições. A abertura, na próxima quarta-feira (23/5), às 19h, de uma retrospectiva de sua arte poética marca a volta do artista no Museu do Estado de Pernambuco. A mostra “Arte & linguagem: 40 anos de arte visual Silvio Hansen”, com a curadoria de Raul Córdula, contempla todas as fases do trabalho artístico de Hansen, desde o seu início, na década de 1960.
A formação do artista começou em ateliês de outros artistas e no Curso Livre da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde teve contato com Reynaldo Fonseca, Vicente do Rêgo Monteiro, Baldinni e Lula Cardoso Ayres. Entre 1975 e 1987, trabalhou com Paulo Neves, quando desenvolveu um estilo em seus desenhos com figuras, peixes e vegetação.
“Essa forma de desenhar o acompanha até hoje, no entanto, seu traço contínuo encaminhou-se no sentido da economia, atributo não condizente com o que é barroco, e se dirigiu em busca do signo visual, do logotipo, da síntese. Esta é uma das marcas de sua trajetória artística”, observa o curador Raul Córdula.
Seus trabalhos também refletem a tensão política das décadas de 1960 e 1970. Para se comunicar e fazer seus questionamentos às instituições, a ironia surge nessa fase. É o caso de “Vendo arte”, que sugere uma reflexão sobre o mercado da arte. É aí também que suas manifestações encontram eco no trabalho de outros artistas de vanguarda da época, como Daniel Santiago e Paulo Bruscky. Com eles, Hansen participou de diversas manifestações individuais e coletivas.
Em sua trajetória, também aparecem a arte e a poesia postal, além da utilização de películas fotográficas e objetos achados. “Eu trabalho com esculturas, objetos, pintura, modelagem. Eu não me limitei a ser desenhista, eu não sei fazer uma coisa só”, define o próprio artista. Silvio também destaca que a retrospectiva mostra ao público que há um traço comum em toda a diversidade de sua obra.
Com o apoio do Fundo de Incentivo à Cultura Pernambucana (Funcultura), a mostra é uma oportunidade para o público conhecer a arte contemporânea de Pernambuco nas diversas linguagens experimentadas pelo artista. “O poeta que clama nele é um poeta visual – uma das categorias da arte advinda da vanguarda. O desenhista que existe nele nunca perdeu o prumo, mas seu desenho é uma coleção de metáforas e símbolos, típico da vanguarda. O escultor e o gravador que ainda resistem em seu processo criativo são testemunhos da evolução tecnológica que aconteceu nestas últimas décadas, através das quais ele experimentou muitas séries, fases e etapas multimidiáticas”, detalha Córdula.
Serviço:
"Arte & Linguagem: 40 anos de arte visual Silvio Hansen"
Abertura: 23/5, às 19h
Museu do Estado de Pernambuco (Mepe) – Avenida Rui Barbosa, 960, Graças – Recife/PE
Visitação: de 23 de maio a 24 de junho de 2012
Via Fundarpe